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Ilha de Santa Maria – o roteiro

    Desde o momento que visitámos a primeira ilha açoriana, colocámos como meta conhecê-las todas. Os Açores são viciantes, a cada ilha sentimos vontade de voltar e visitar outra ilha. E outra. E outra. Até visitar todinhas. Costumo dizer que nenhum português deveria morrer sem ir os Açores. Ninguém conhece verdadeiramente o país, se não visitar o arquipélago. É um mundo diferente, dentro do nosso país. Não é possível no continente ver, sentir, cheirar ou saborear nada semelhante.

    Posto isto, este contexto da pandemia era a desculpa certa para continuar a coleccionar ilhas açorianas e esquecer, por enquanto, as viagens além fronteiras.

    ILHA DE SANTA MARIA

    A ilha de Santa Maria é a irmã mais velha do arquipélago dos Açores. Tem cerca de seis milhões de anos, mais do dobro da idade das restantes. A ilha de Santa Maria situa-se no extremo sudeste do arquipélago dos Açores, de que integra o Grupo Oriental. Tem uma superfície de 97,4 km²e uma população residente (gentílico: marienses) de 5 578 habitantes (2001), distribuída pelas cinco freguesias que compõem o concelho de Vila do Porto, o único da ilha.

    O povoamento é disperso, com as casas espalhadas por toda a ilha, formando pequenos núcleos ao longo das zonas mais ricas em água da parte ocidental e aninhadas nos vales da parte oriental. O maior povoado é Vila do Porto, à qual está ligado o complexo habitacional e cívico que nasceu em torno do aeroporto, restos da estrutura urbana da antiga base aérea americana dos tempos da Segunda Guerra Mundial. A habitação tradicional é em alvenaria de pedra, com rebocos pintados de branco, barras coloridas em torno das portas e janelas e grandes chaminés cilíndricas, fazendo lembrar as casas alentejanas e algarvias.

    O relevo e a riqueza de contrastes entre a terra e o mar, a que se associa o equilíbrio arquitectónico dos povoados, conferem grande beleza à paisagem mariense.

    O território da ilha constitui um único concelho, o de Vila do Porto, com uma população residente de 5 578 habitantes (2001), dividido em cinco freguesias: Vila do Porto, com 2 997 habitantes (2001); São Pedro, com 841 habitantes (2001); Almagreira, com 537 habitantes (2001); Santo Espírito, com 723 habitantes (2001); Santa Bárbara, com 480 habitantes (2001).

    Como em todos as ilhas açorianas, uma das actividades culturais mais marcantes são as celebrações do Divino Espírito Santo, altura em são realizados os “Impérios”. Estes rituais têm como objetivo agradecer e cumprir promessas feitas

    Esta é marcada, antes de mais, por um conjunto de ritos e festejos de características religiosas: terços e outras cerimónias de homenagem à Coroa, procissões e cortejos vários, etc. De entre esses ritos destaca-se acoroação, imposição solene da Coroa ao imperador, realizada pelo padre no termo da missa.

    em honra do Espírito Santo, quando são distribuídas gratuitamente as chamadas “sopas”, cozinhadas segundo as antigas tradições.

    CELEBRAÇÕES ESPIRITO SANTO: A Coroa do Espírito Santo, forma consagrada de representação da divindade, constitui o elemento em torno do qual se estruturam os Impérios. Trata-se de uma Coroa em prata trabalhada, encimada por uma pomba, e que constitui a insígnia central de um conjunto de que fazem ainda parte um ceptro-também encimado por uma pomba — e uma salva, ambos em prata. Em Santa Bárbara existem três dessas Coroas, cada uma delas adscrita aos locais de culto atrás mencionados. Esta forma «sui generis» de representação da divindade deve ser, por um lado, relacionada com as origens usualmente atribuídas às Festas do Espírito Santo, que, como vimos, reservam um papel decisivo à figura da Rainha Santa Isabel. E é, por outro lado, solidária de um conjunto de outras designações e insígnias, igualmente retiradas de uma linguagem de poder, que integram a sequência ritual dos Impérios.

    Tradicionalmente, o período consagrado em Santa Bárbara à realização dos Impérios — o chamado tempo dos Impérios — estendia-se, à semelhança do que se passa no conjunto do arquipélago, ao longo das oito semanas que medeiam entre o domingo de Páscoa e o domingo da Trindade. Os festejos, em número variável de ano para ano, de acordo com as promessas existentes, convergiam preferencialmente para a altura de Pentecostes. Era nessas datas que tinha lugar o dia de Império, ponto culminante dos festejos. As semanas que antecediam o dia de Império coincidiam com a sua fase preliminar e eram ocupadas com um certo número de cerimónias preparatórias. Enquanto estas se centravam em casa do imperador, o dia de Império decorria por seu turno na igreja ou ermida para a qual o Império havia sido prometido. Esta organização temporal dos Impérios conheceu nos últimos 25/30 anos algumas transformações. Estas ficam a dever-se à generalização, a partir do início do surto migratório dos anos 60, de Impérios prometidos por emigrantes. Resultantes na maior parte dos casos de promessas relacionadas com a emigração — «se eu for para a América (ou para o Canadá) e que tenha sorte, prometo um Império à Senhora de Lourdes (ou a Santa Bárbara)…» — esses Impérios representam cerca de 75% do total deImpérios realizados na freguesia entre 1964 e 1987. Muitas pessoas referem a este propósito, em tom de brincadeira, que «se não fossem os emigrantes, os Impérios já tinham acabado». De facto, contrariamente ao que se passa noutros contextos, a emigração tem operado em Santa Bárbara não como um factor de enfraquecimento da festa, mas, antes, como um instrumento da sua continuidade e reforço. Esta estreita dependência entre Impérios e emigração conduziu em primeiro lugar ao aumento do número dos chamados Impérios fora do tempo. Muitos dos emigrantes apenas conseguem deslocar-se à freguesia nos meses consagrados às férias e um certo número de Impérios passou em consequência a realizar-se nesse período. Como essas deslocações têm também uma duração máxima de três/quatro semanas deu-se simultaneamente uma contracção da fase preliminar dos Impérios.Assim, em vez das sete/oito semanas tradicionalmente previstas, os Impérios estendem-se actualmente por um período de duas/três semanas. Apesar destas transformações, os Impérios conservaram entretanto intactas grande parte das suas características tradicionais. Além de Cristóvão Colombo, há uma linda baía para descobrir, trilhos pelas escarpas e até uma rocha em forma de bruxa. Dizem os locais que este é o melhor sítio para ver o pôr-do-sol, acompanhado de uma cerveja fresca. Para nós não houve cerveja, mas o pôr-do-sol foi tão conquistador como o próprio Cristóvão. Estas sopas integram a ementa da tradicional festa do Espírito Santo, enraizada em todo o arquipélago, sendo confecionadas entre o Domingo de Pentecostes e outubro. As celebrações do Divino Espírito Santo são uma tradição enraizada nos Açores. A grande festa é no sétimo domingo após a Páscoa, o domingo de Pentecostes, e concentra-se no chamado Império do Divino Espírito Santo, onde se concentra o culto.
    Em Santa Maria, estes impérios são normalmente pequenos telheiros nas traseiras das igrejas reservados para armazenar tudo o que está relacionado com a festa e para cozinhar as chamadas “sopas”, distribuídas gratuitamente a quem aparecer.
    Na base desta tradição estão as promessas individuais motivadas essencialmente pela saúde e a riqueza — que intercambiam a graça divina solicitada com o patrocínio de um Império num local de culto preciso: a igreja paroquial ou duas das ermidas existentes na freguesia — as ermidas de Nossa Senhora de Lourdes (situada no lugar do Norte) ou de Jesus, Maria, José (situada em São Lourenço). Cada um destes locais de culto possui nas suas imediações dois edifícios de características rituais utilizados exclusivamente no âmbito dos Impérios — a copeira e o teatro. Santa Maria é comum os impérios serem utilizados como pagamentos de promessas, por mordomos voluntários, digamos. Assim, as festas podem suceder-se e até repetirem-se nas mesmas povoações, com o mordomo voluntário a pagar as “sopas” – carne de vaca (velha preferencialmente), pão de trigo caseiro (duro), repolho, cebola, banha de porco, hortelã, endro, sal – de preferência acompanhadas por vinho de cheiro. Pelo que consegui apurar, antigamente esta tradições eram limitadas à festa do Espirito Santo, no entanto, atualmente como os emigrantes nem sempre estão presentes nesta altura acabam por ser fazer durante todo o ano, especialmente no verão.

    Para além desta festa, celebrada em todas as freguesias, decorre em Vila do Porto a celebração do Senhor Santo Cristo dos Milagres.

    A 15 de Agosto ocorrem as festividades em homenagem à padroeira, Nossa Senhora da Assunção.

    Ainda no mês de Agosto, geralmente no último fim-de-semana, realiza-se desde 1984, na praia Formosa, o Festival Maré de Agosto, um dos mais concorridos do arquipélago, e que conta com atrações musicais nacionais e internacionais.

    No Verão, a praia Formosa e praia de São Lourenço são as mais concorridas não apenas pelos banhistas como também para a prática de desportos náuticos.

    A temporada encerra-se com a festa da Confraria dos Escravos da Cadainha, nos Anjos, no mês de Setembro.

    A nível de artesanato destacam-se a confecção de louça e de outras peças de olaria em barro vermelho (cuja tradição atualmente se procura recuperar), as camisolas de lã feitas manualmente, as mantas de retalhos coloridas e os panos de linho, os chapéus de palha, os cestos de vime e vários objectos em madeira e ferro. Além de diversas cooperativas de artesãos, a ilha conta com um museu para expor o aspecto histórico e cultural desta produção: o Museu de Santa Maria, localizado na freguesia de Santo Espírito.

    A gastronomia da ilha é rica, destacando-se o caldo de nabos, o bolo na panela, a caçoila, o molho de fígado, a sopa e a caldeirada de peixe. Entre os mariscos citam-se o cavaco, as lapas e as cracas. No campo da doçaria, citam-se os biscoitos encanelados, os de orelha, os brancos, os de aguardente e as cavacas. Entre as bebidas, o vinho de cheiro, o vinho abafado, o abafadinho, os licores de amora, de leite e a aguardente, são típicos.

    Acerca do falar típico de Santa Maria, talvez a primeira recolha registada de palavras e expressões seja a do oficial miguelista António Bonifácio Júlio Guerra, condenado ao desterro na ilha, datada de 1834.

    Casas de santa maria: De acordo com a tradição, as habitações da freguesia são pintadas na cor branca com barras realçando a pedra de cantaria e, em muitos casos, com a cor tradicional das demais freguesias da ilha (azul anil de Santa Bárbara,verde de Santo Espírito, amarelo ocre de São Pedro e almagre de Almagreira) por opção dos habitantes de cada uma delas quando vinham viver definitivamente para Vila do Porto, de modo a manter uma ligação afetiva com a sua freguesia de origem.” (Wikipédia), As casas, tal como em toda a ilha, tem uma clara influência alentejana e algarvia: paredes brancas, barras coloridas. Sabiam que cada freguesia da ilha tem a “sua cor”? É verdade! É possível percebermos que mudámos de freguesia quando as cores das barras mudam.

    A NOSSA EXPERIÊNCIA

    Santa Maria foi uma enorme surpresa e nunca tínhamos encontrado tanta coisa para descobrir num sítio que nos garantiam “não ter nada para fazer”. É uma ilha muito rica, muito diversa, com actividades para todos os gostos e curiosidades que nunca poderíamos imaginar. Visitámo-la em Novembro e aproveitámos a praia, imaginem! Diz-se que Santa Maria tem as melhores praias do arquipélago, e do que vimos até agora, não duvidamos. 
    Ficámos com muita vontade de voltar, quer para matarmos saudades dos lugares em que fomos felizes, quer para fazer os restantes trilhos. A “grande rota” da ilha de Santa Maria tem 78km e, segundo dizem, vistas ainda mais maravilhosas do que aquilo que vimos.

    ROTEIRO

    Na verdade, não somos pessoas pouca organizadas nas viagens. Nós até planeamos previamente, no entanto, na prática esquecemo-nos dos roteiros ou simplesmente as escolhas do dia-a-dia acabam por nos levar por outros caminhos.  Como tal, optei por vos apresentar a nossa viagem dividida (dentro do possível) pelas costas da ilha. Assim podem construir o vosso próprio roteiro.

    Costa Sul

    Vila do Porto – Pedreira do Campo – Praia Formosa – Ribeira de Maloás – Parque das Fontinhas – Ponta do Castelo
    • Vila do Porto

    A Vila do Porto é a “capital” da ilha de Santa Maria e o local onde se encontram a maioria dos restaurantes, os supermercados, os bancos, as únicas duas farmácias existentes na ilha inteira.
    Vale a pena percorrer a rua principal cima a baixo, desde o Forte de S. Brás até à zona das escolas passando por várias lojas, supermercados e restaurantes de referência. Na Vila do Porto podemos encontrar ainda o mercado, onde destaco as bancas de carne e peixe, e as lojinhas de recordações e artesanato da ilha.

    • Pedreira do Campo

    A Pedreira do Campo está integrada no Monumento Natural Pedreira do Campo, do Figueiral e Prainha e é uma verdadeira escola de geologia. Contém rochas vulcânicas submarinas e sedimentos fossilíferos marinhos, únicos no Arquipélago dos Açores. Os níveis sedimentares, pela sua expressão fossilífera e pela sua idade (cerca de 5 milhões de anos) permitem estabelecer correlações estratigráficas inter-macaronésicas e entre a Macaronésia e os continentes Europeu e Africano, e contribuem para a compreensão da história geológica do Atlântico Nordeste e da colonização das ilhas macaronésicas. Nela podem ser observados depósitos estratificados de rochas sedimentares com fósseis (bioclastos), e de rochas vulcânicas (piroclastos) submarinas, únicos no arquipélago. Estes depósitos – onde se destacam travesseiros de lava e fósseis – são testemunhos das atividades vulcânicas que, em eras geológicas, deram origem à ilha, há cerca de 5 milhões de anos antes do presente.

    A Gruta do Figueiral é uma gruta artificial de onde se extraía a argila para o fabrico de telhas e o calcário que era transportado para um forno, para o fabrico de cal, utilizado na construção das típicas casas marienses. A Prainha constitui uma importante jazida fossilífera de elevado interesse paleontológico.

    Acesso:

    Pedreira do Campo
    • Praia Formosa

    A ilha de Santa Maria é a estância balnear açoriana por excelência e conta não só com as piscinas de água salgada pela ilha mas também com a famosa Praia Formosa. Esta praia é conhecida pelo areal com cerca de um quilómetro de extensão, águas límpidas e mornas, e areias claras.

    Parece estranho areia clara numa ilha vulcânica ? Pois é, mas isto acontece devido à presença de partículas calcárias, que a torna uma das zonas balneares mais apetecidas do arquipélago. Mas basta escavarem ligeiramente a fina camada de areia branca superficial e vão encontrar a areia negra típica das ilhas vulcânicas.
    No fim de Setembro, a ilha já tinha a calmaria de inverno mas não resistimos em fazer praia e dar uns mergulhos no mar temperado. A areia é tão fofa que ainda deu fazer uma sesta.
    Terminámos a tarde a comer lapas e a beber Kima na esplanada do bar da praia.

    • Ribeira de Maloás

    Também conhecida como a “Calçada dos Gigantes”, é um dos geossítios da ilha de Santa Maria, com uma formação prismática resultante de uma escoada lávica basáltica. Como não bastava esta maravilha da natureza que parece que foi delicadamente desenhada por um arquiteto, ainda é finalizada com uma queda de água de 20 metros e é possível atravessar, facilmente, o leito do rio que lhe dá origem. O trilho para lá chegar não é fácil e impossível de transitar com lama e mau tempo, mas vale muito a pena.

    • Parque das Fontinhas

    Numa clareira, encontramos o Parque Florestal das Fontinhas, um espaço verde muito agradável com vegetação exuberante, onde reina o silêncio e a natureza. Além de viveiros, tem um parque de merendas e um parque infantil. Daqui, recordamos principalmente a intensidade do chilrear dos pássaros…

    • Ponta do Castelo
    • Farol de Gonçalo Velho. O farol em si não é visitável, mas a vista vale a pena. E há um trilho que pode ser feito até à beira mar, para uma vista incrível.

    Costa Este

    1. Maia

    Maia é uma pitoresca freguesia situada na costa sudeste da ilha, plena de tranquilidade e elegância. Localiza-se numa área de grande beleza natural, no sopé de uma falésia que forma uma aprazível baía, classificada como Reserva Natural.  Esta pequena baía oferece ainda uma piscina de água do mar, muito típicas pelas ilhas portuguesas. Conseguimos tomar banho mesmo com o mar furioso a invadi-la de ondas enormes.

    Vale a pena conhecer as suas ruas calmas, apreciar as encostas escarpadas cultivadas para aproveitar o melhor que este fértil solo tem para oferecer, aliado à força e beleza do vasto Oceano Atlântico. 

    2. Cascata do Aveiro

    A Cascata do Aveiro localiza-se mesmo no fim da baia da Maia e é uma das maiores do país, com cerca de 100 metros de altura. Quando lá chegámos assistimos a vários turistas a dar meia volta com a desilusão estampada nos rostos porque a cascata estava quase seca. No entanto, não nos demos por vencidos. Estacionámos o carro e quisemos ver de perto a famosa Cascata do Aveiro, um dos ex-libris da Ilha de Santa Maria. De facto, a água que escorria pela cascata era tão pouca que quase não se ouvia o seu som. Mas o impacto de estar aos pés daquela enorme parede quis relembrar o quão pequenos somos. Foi incrível atravessar junto a pequenas piscinas de água junto ás rochas, onde os patos desfilavam e no fim, mesmo junto à cascata, olhar para cima e observar a parede negra gigante que só terminava num céu luminoso.

    3. Santo Espirito

    De passagem na freguesia de Santo Espírito (assim mesmo, ao contrário), parámos na Igreja de Nossa Senhora da Purificação e encontrámos, também, o único Multibanco em que pusemos os olhos fora da Vila do Porto. Percebemos que estamos num ambiente diferente quando damos por nós a exclamar “Olha um multibanco!!” quando passamos por um, não é verdade? Esta é, sem dúvida, uma ilha diferente. E além da escassez de multibancos, percebêmo-lo também pelos carros com a chave na ignição, pelo vidro aberto com a carteira em cima do banco. Soa tão estranho mas tão natural que até nos sentimos mal quando trancamos o nosso… 

    4. Cooperativa de Artesanato de Santa Maria

    A cooperativa localiza-se em Santo Espírito e, tendo em conta os tempos de pandemia, só estava aberta de manhã até às 12h30. As atividades da cooperativa centram-se essencialmente na confecção dos biscoitos típicos da ilha e de trabalhos de tecelagem. Noutra altura, a sala de trás estaria ocupada com senhoras a trabalhar nos teares enquanto os visitantes assistiam. Atualmente, os teares estavam vazios mas a senhora foi tão simpática que foi nos explicar …..

    5., 6. – Baía de São Lourenço, Miradouro de São Lourenço e Miradouro de Alagares

    A Baía de São Lourenço é um dos pontos altos da ilha. Baía de São Lourenço, constituída Reserva Natural. A forma provocada pela cratera vulcânica, as vinhas nas encostas e os tons azuis da água fazem desta uma paisagem única. Além de visitar a baía, aproveitem o Miradouro de São Lourenço ou Miradouro do Espigão, de onde são tiradas as fotografias mais típicas. Se estiver bom tempo, aproveitem a única piscina natural da ilha.

    O Miradouro de São Lourenço é o lugar onde se observa a paisagem mais conhecida de Santa Maria: a Baia de São Lourenço. Levámos connosco o resta da pizza que tinha sobrado do jantar no Central Pub e almoçámos na mesa do miradouro enquanto admirávamos os socalcos e tentávamos entender como os bravos marienses sobem desde o mar até quase ao cume das montanhas.

    Miradouro de São Lourenço

    Miradouro de Alagares:

    Descobrimos um lugar ainda mais incrível para admirar a baia. Atrevo-me a dizer: o lugar mais maravilhoso da ilha. Não existe nos roteiros convencionais de Santa Maria. Não está bem sinalizado. E nem sequer tem acesso de verdadeiro miradouro. Mas se gostam de pequenos trilhos e vistas incríveis, registem isto. Este miradouro apenas tem acesso através de um trilho e na internet só o encontram como uma das paragens da Grande Rota de Santa Maria.

    E como é que encontrámos o miradouro? Vimos uma foto no instagram tirada do lado contrário do Miradouro de São Lourenço, e eu não descansei enquanto não descobri como lá podia chegar. Não existe na internet o roteiro para lá chegar. Simplesmente li a descrição da Grande Rota, olhei para o google maps e consegui adivinhar exatamente o inicio do trilho.

    Acesso: Basta percorrer a estrada de cima paralela à Baia de São Lourenço e parar o carro aqui. Neste mesmo lugar encontra-se o inicio do trilho e está bem sinalizado. Contem aproximadamente com 700 metros de caminho. Numa primeira fase num caminho de balastro, e depois começa a aumentar a dificuldade. Caminhos de pedras, subir os degraus de um muro e a subida de um monte, para no final admirar umas das paisagens mais bonitas que alguma vez vi.

    O miradouro não tem grandes condições de segurança e a permanência no sitio merece comportamentos cautelosos.

    7. Poço do Pedreira

    A exploração da pedreira que aqui existiu, em tempos, deixou na paisagem uma enorme parede vermelha. Além de a ver de baixo e aproveitar o lago, é também possível fazer um pequeno trilho por entre a vegetação e subir a um pequeno miradouro, instalado no topo da parede.

    O Poço da Pedreira é uma antiga zona de extracção de inertes, talhada num antigo cone de escórias, o Pico Vermelho. A rocha que o constitui, conhecida como pedra de cantaria mariense, corresponde a piroclastos basálticos subaéreos (escórias) muito alterados, consolidados e de coloração avermelhada, dada a antiguidade do cone vulcânico. A frente de exploração apresenta paredes verticais, dadas as características geotécnicas do material e o seu método de extração. Na base da frente de exploração, onde há uma pequena depressão, formou-se um charco de água e junto ao caminho de acesso ao geossítio é possível observar um filão basáltico, sob a forma de um muro de rocha. De grande relevância cénica, este pitoresco local da freguesia de Santa Bárbara está integrado no percurso pedestre PRC3SMA – Entre a Serra e o Mar, sendo um dos seus pontos de maior interesse. O Poço da Pedreira é um geossítio prioritário do Geoparque Açores, de relevância nacional e com interesse científico, educacional e geoturístico.

    • Miradouro da Pedra Rija: Pintado de azul, tal como a paisagem de fundo, não poderia ser mais fotogénico do que é. O nome da freguesia também é inesquecível: Arrebentão. Tem hortênsias (mesmo em pleno Novembro), tem campos verdes e tem mar, claro.

    Costa Norte

    1. Anjos

    Os Anjos é mais uma freguesia da ilha, localizada na costa Norte e conhecida pelos apreciadores de um bom banho de água do mar. Um outro elemento de destaque logo à entrada dos Anjos é a estátua de Cristóvão Colombo e também a Ermida de Nossa Senhora dos Anjos, que é datada do século XIX.
    Diz a lenda que Cristóvão Colombo andou por lá, no regresso da Descoberta da América, e que terá mandado rezar uma missa.

    Um dos interesses locais é também o Bar dos Anjos, conhecido pela comida tradicional, como a sopa de Império e o caldo de nabos.

    2. Barreiro da Faneca

    O Barreiro da Faneca é talvez o sítio mais curioso e insólito da ilha – ou mesmo do arquipélago inteiro. Ninguém acreditava quando dizíamos que a Ilha de Santa Maria tem uma deserto. Mas é mesmo verdade! A natureza de Santa Maria revela-se como enciclopédia geológica natural, e aqui está mais um prova. Uma extensa superfície de terreno árido e argiloso, constituindo uma paisagem semi-desértica de cor amarelo-avermelhada, única nos Açores que se exibe com algumas dunas. O acesso ao Barreiro da Faneca não é muito visível, apesar de ter um placard enorme com o nome, ninguém dá nada por aquilo. No entanto, podem chegar de carro lá bem perto através de uma estrada de balastro e estacionar o carro junto ao portão de madeira que impede ralis no pequeno deserto. Ou então, estacionam junto à estrada principal e fazem uma pequena caminhada. Foi assim que fizemos, talvez tenham a nossa sorte de encontrar um casal mariense emigrantes nos Estados Unidos há 60 anos, que percorreram connosco enquanto ouvimos histórias da vida de emigrante e das mudanças sofridas na ilha nos últimos anos. Não é nenhum deserto do Sahara sem vegetação a perder de vista. Mas as árvores que rodeiam o terreno avermelhado emolduram e embelezam a paisagem. Mas as fotografias podem enganar um pouco.

    3. Ermida Nossa Senhora de Fátima

    A Ermida de Nossa Senhora de Fátima localiza-se na freguesia de São Pedro, e foi a primeira ermida a ser construída, logo após a Capelinha das Aparições, sob a invocação de Nossa Senhora de Fátima. Tem 150 degraus, um por cada Avé Maria, e 15 patamares, um por cada Pai Nosso que compõe os Mistérios do Terço. É impossível passar despercebida a quem passa na estrada pela enorme escadaria e o ar pitoresco.

    4. Pico Alto

    O Pico Alto localiza-se na freguesia de Santa Bárbara, concelho da Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, nos Açores.

    É o acidente geológico dominante da ilha, com o seu pico elevando-se a 587 metros acima do nível do mar.

    Devido à sua altitude é determinante para o ciclo hidrológico na ilha, promovendo a intercepção da humidade dos ventos e permitindo a formação de nuvens orográficas em seu topo, o que propicia a chamada precipitação oculta. A água assim obtida permite condições para a existência de uma vegetação rica em suas encostas e de algum pasto.

     depois, chegávamos ao Pico Alto. Valeu tanto a pena a correria para lá chegar! Este Pico, o ponto mais alto da ilha a 587 metros acima do nível do mar, é um autêntico miradouro a 360º. Todo o contorno da ilha é visível, ali tão perto. Cada um de nós girou sobre si próprio e viu sempre a ilha e o mar, sem fim. Incrível!

    5. Santa Bárbara

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