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Roteiro região de Oliveira do Hospital (e arredores!)

Partimos do litoral para descobrir as maravilhas do interior, mais especificamente a região de Oliveira do Hospital. Escolhemos esta zona pela vantagem do alojamento em casa da família, porque desconhecia grande parte dos locais turísticos do concelho e, ainda, porque procurávamos o descanso, ar puro, poucos gastos. Com a agravante de ter sido um concelho altamente fustigado pelos incêndios de 2017, com 97% de área florestal ardida, pelo que merece o nosso maior apoio através da nossa visita.

O objetivo era visitar as praias fluviais, os miradouros, as aldeias e explorar os recantos mais escondidos.

Quanto à acomodação, ficámos em casa de familiares em Touriz, uma aldeia portuguesa com cerca de 200 habitantes, pertencente à freguesia de Midões, concelho de Tábua. A aldeia tornou-se particularmente conhecida graças ao Tourizense, o clube desportivo local, que alcançou as mais importantes competições nacionais de futebol.

Fiz uma pesquisa rápida no Airbnb com alojamentos na zona e deixo-vos aqui.

Este post vem com 2 meses de atraso, mas não podia deixar de fazer esta humilde homenagem às minhas raizes serranas e em especial à melhor guia da região, a minha madrinha.

DIA 1 – 15 de Agosto
No primeiro dia parámos na Barragem da Aguieira com a ideia de andar de mota de água. No entanto, estavam todas ocupadas e tivemos que optar pela canoa. Ainda assim, o passeio pela barragem foi mesmo agradável e relaxante.

Dica: evitem dias de muito vento, caso contrário vão ter que encontrar músculos onde não sabem que eles existem.

Depois de tanto esforço, o dia terminou da melhor forma em Oliveira do Hospital, em casa da madrinha a confortar o estômago e a alma.

DIA 2 – 16 de Agosto
Começámos na aldeia de Avô. Fomos de manhã e por isso a tarefa de estacionar o carro não ofereceu dificuldade. Passeámos pela aldeia e explorámos vários locais onde é possível apanhar sol e dar uns mergulhos. A verdadeira praia fluvial de Avô deixou-me realmente impressionada.Tem óptimas condições: areia branca, sombras, nadador salvador, acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida e uma piscina para crianças. Mas aconselho a, tal como nós, irem pela manhã. Dizem que na época alta, durante a tarde, a praia fica muito cheia e lugares para estacionar – nem vê-los.

Link estacionamento de avô aqui.

Voltámos ao caminho para passar rapidamente pela Ponte das 3 Entradas e Alvoco das Várzeas. Antes de chegar à aldeia, em Parente, há um local pouco conhecido para darem uns mergulhos. Caso queiram experimentar, parem e perguntem a alguém na zona. A aldeia de Alvoco tem também uma praia fluvial com um bar e uma importante ponte romana, que vale a pena visitar/percorrer.

Antes de almoçar, parámos em Vide para tirar fotos com o Rio Alvoco e as casas das margens como fundo.

Acabámos a manhã no Poço da Broca, um dos meus sítios preferidos da zona – não fosse eu uma apaixonada por cascatas e pelo elemento água no geral.

Aconselho a visitarem a cascata em época de chuvas e de preferência na primavera para conseguirem contemplar a cascata no seu esplendor máximo.

Cascata do Poço da Broca no Verão

Dicas para a visita:

  1. Ao chegarem de carro ao restaurante Guarda Rios devem procurar estacionamento nas redondezas. Em alturas de muita afluência podem ter que estacionar à beira da estrada.
  2. Sigam a pé o caminho indicado pela seta “Poço da Broca” antes da ponte, à direita, atrás de uma pequena casa de xisto e vão chegar a uma pequena varanda de pedra onde conseguirão assistir ao enorme espetáculo da volumosa queda de água quase na primeira fila. Este é mais um daqueles lugares que é preciso ver ao vivo para captar toda a beleza da atmosfera envolvente;
  3. Voltem para trás pelo mesmo caminho e atravessem a ponte. Subindo a estrada de alcatrão atrás do restaurante terão acesso a pequenas piscinas naturais cuja água culmina na cascata principal;
  4. No fim, desfrutem de uma refeição no restaurante “Guarda Rios“. Serve comida tipicamente portuguesa e muito saborosa com ótimas opções não só de carne, como de peixe vindo diretamente de Peniche. Mais uma vez não desapontou. Nem o restaurante, nem os choquinhos grelhados maravilhosos.
Durante o inverno a água sobe tanto que chega a ocupar a esplanada de baixo do restaurante

Após o almoço, passámos de carro em Alvoco da Serra, que apesar de ser uma aldeia pequena, tem uma piscina municipal muito convidativa.

O dia terminou na famosa Praia Fluvial de Loriga, cada vez mais famosa pela visibilidade nas redes sociais. A água é muitooooo fria, a praia estava muito cheia mas é lindíssima, tem uma vista incrível e vale mesmo a pena.

Praia Fluvial de Loriga

Na vila há vários pontos de interesse culturais e gastronómicos, nomeadamente, a broa de milho, o bolo negro e o restaurante Vicente. Um dos maiores atrativos é a famosa garganta de Loriga, um vale glaciar que seria interessante percorrer a pé em grupo e com tempo.

DIA 3 – 17 de Agosto

No terceiro dia tivemos visitas e por isso fomos apresentar um dos mais recentes pontos turísticos da região, o Museu do Azeite (Bobadela, Oliveira do Hospital). O museu é muito giro e explica todos os passos de processamento do azeite de uma forma simples e acessível a todos. Permite ainda tirar uma foto num “olival digital” e enviar para o e-mail.

O restaurante do museu tem pratos regionais deliciosos e de boa qualidade mas com preços – digamos – “demasiado turísticos”. Vale a pena ainda explorar a loja do museu, provar o azeite, descobrir os diversos produtos regionais e ainda outras inovações produzidas através do azeite, azeitona e folha de oliveira.

A ponto de visita seguinte foi Foz D’Égua. É uma aldeia encantadora e muito pitoresca, mas também muitoooo cheio de gente. A imagem postal da aldeia inclui duas pontes, casas de pedra e ainda uma ponte pedonal suspensa. No entanto, a ponte é privada e inacessível ao público em geral porque é propriedade privada de um senhor emigrante que foi o grande impulsionador da remodelação da aldeia.

O Piodão foi a paragem seguinte e dispensa apresentações. É uma das 7 aldeias maravilha do país, mais conhecida como “aldeia presépio”.

Para nós que ninguém nos ouve (ou lê) é simplesmente A aldeia mais pitoresca e encantadora do pais.

Para quem nunca foi ao Piodão, aconselho vivamente a visitarem. O caminho desde Vide para o Piodão é super pacífico e seguro em dias de boas condições meteorológicas e vale mesmo a pena percorreram a aldeia e descobrirem as casinhas, as ruelas, as escadas, visitar o centro de interpretação e as lojas de produtos locais.

Nós, como já conhecíamos o Piodão, optámos por sentar na esplanada à entrada e comer as famosas sandes de presunto e bucho. Só faltaram os também conhecidos licores para acompanhar.

No fim do dia, assistimos ao pôr do sol no Miradouro Penedo da Saudade onde conseguimos relaxar e admirar o sol a descer o céu para as montanhas.

DIA 4 – 18 de Agosto

No último dia subimos ao Monte do Colcurinho, uma das montanhas mais altas da Serra do Açor e a meta de uma das subidas épicas do país e, por isso, palco de muitas iniciativas inovadoras associadas ao ciclismo e BTT. Esta subida começa na carismática Ponte das Três Entradas e termina junto à capela do alto do Colcurinho, importante lugar de culto da região. Mas não precisa de subir de bicicleta, o caminho é todo asfaltado mesmo até às torres eolicas e à capela. Seja a pé, de bicicleta ou de carro, a vista recompensa com uma das melhores panorâmicas sobre a Serra da Estrela e a Serra do Açor. No caminho aconselho uma paragem na Aldeia das Dez (tomar uma bebida no Plano 5), Vale de Maceira e o Santuário da Srª das Preces, uma das imagens de marca desta subida. O santuário é um local de culto muito conhecido na região, com várias capelas que representam a via sacra. Independentemente das crenças de cada um, é muito interessante a visita pelas edificações e o enquadramento na natureza.

No regresso a Touriz almoçámos no restaurante Carneiro Alado em Vila Chã (Tábua) que nos oferece uma mix entre os sabores da região e do Brasil muito interessante e muito bem conseguido.
E não podia faltar a paragem na Cooperativa de Oliveira do Hospital para comprar Queijo Serra da Estrela e a bola de bacalhau, aquisição extremamente obrigatória sempre que visito a região. Se quiserem seguir o meu conselho não se esqueçam de encomendar antecipadamente ! Recomendo vivamente a cooperativa não só nestes produtos mas para comprar todos os produtos da região de Oliveira do Hospital, Loriga e Serra da Estrela: ótima qualidade e muita variedade. 5 estrelas !

Monte do Colcurinho

Outros locais de interesse:

  • Ruinas romanas da Bobadela – um dos lugares com vestígios romanos mais importantes do pais, mas infelizmente muito desconhecido.
  • Visitar a uma queijaria artesanal
  • Ponte das 3 entradas: parar para beber café na esplanada do Alva Valley Hotel e perceber porque a aldeia se chama assim.
  • Aldeia de São Gião: tem praia fluvial e parque de campismo onde é feito o famoso Freedom Festival
  • Aldeia das Dez (Aldeia de Xisto): Paragem no centro da aldeia, para através do miradouro, que fica junto ao tanque comunitário, ver o Vale do Alva, agora noutra perspetiva. Nesta aldeia existe um projeto engraçado – Plano 5, onde podem desfrutar de uma bebida na esplanada com vista.
  • Lapa dos dinheiros: Praia fluvial com reconhecimento internacional. Tem um projeto de Turismo muito interessante chamado Casas da Lapa. É uma aldeia com muita dinâmica e com gente a fazer coisas muito interessantes ao nível da sustentabilidade.

ROTEIRO

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1 comentário em “Roteiro região de Oliveira do Hospital (e arredores!)”

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